História de Estância Velha

por Câmara Municipal de Estância Velha publicado 19/10/2015 07h50, última modificação 04/01/2018 14h31



                 O nome Estância Velha originou-se da localização do povoado, na margem direita do Rio dos Sinos, numa estância de criação de gado de propriedade do Governo Imperial. A área estimada era de quatro léguas de circunferência e a capacidade era de até seis mil cabeças de gado. Estância é um termo gaúcho usado para designar fazenda, rancho ou morada. Estância Velha também foi conhecida como Entrada de Bom Jardim. Em 1939, passou a denominar-se Genuíno Sampaio, que foi um Coronel com grande atuação no caso dos Mucker, em Sapiranga. Entretanto, este nome não teve êxito, e o povoado voltou a chamar-se Estância Velha, já em 1950.


Primeiros Moradores

INDÍGENAS

Os primeiros moradores de Estância Velha foram os índios, pertencentes à várias tribos, com destaque para os Tupis-Guaranis e os Kaingangs. Os Tupis-Guaranis, que deram origem aos Charruas e Minuanos, viveram aqui há mais de 900 anos, conforme sítios arqueológicos encontrados em locais como a Toca dos Bugres (Morro dos Fleck) e Morro Agudo.
 
1788 -  LUSOS E LUSO-BRASILEIROS
 
Em 1788 foi instalada a Real Feitoria do Linho Cânhamo, à margem esquerda do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, com a finalidade de produzir cordames para os navios portugueses. Para produzir matéria-prima para este estabelecimento, promoveu-se um povoamento luso e luso-brasileiro, que espalhou dezenas de fazendas pelas redondezas. Entre elas a Fazenda Boa Vista (Portão), Fazenda Bom Jardim (Ivoti) e Fazenda Estância Velha (Estância Velha).
 
1822 -  AÇORIANOS

Em 1822, nove casais de açorianos chegaram ao Rio Grande do Sul com seus filhos. Eles estabeleceram-se no local hoje conhecido como Rincão dos Ilhéus. Pertenciam às famílias dos Quadros, Picasso, Costa (2), Nunes da Cunha, Espíndola de Bitancur, Silva, Veríssimo, Cunha.
 
1825 - IMIGRANTES ALEMÃES
 
A primeira leva de imigrantes alemães chegou ao Rio Grande do Sul em 25 de julho de 1824. Eles instalaram-se, inicialmente, no local da antiga Feitoria do Linho Cânhamo e depois foram distribuídos pela região próxima.
Em Estância Velha, os primeiros imigrantes alemães chegaram em 1825 e instalaram-se nas proximidades da Lagoa Lourenço Torres, na Boa Saúde, em cujas margens residia o vice-capataz Imperial, José Antonio de Quadros.
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Imigrantes das famílias Ritter, Mattje, Sauer, Bauermann, Mattes, Nabinger, Jung, Ebling e outras, construíram seus ranchos à beira da estrada que ligava a Lagoa ao Portão Velho.
Durante os primeiros invernos que passaram aqui, o pouco gado de que dispunham embrenhou-se nas matas. Ao saírem à procura dos animais, os colonos descobriram terras mais férteis e obtiveram licença para escolher terras ao norte do Travessão da Floresta Imperial. Estas terras, até a Lagoa da Boa Saúde, foram medidas e divididas em 26 lotes coloniais, com 77 hectares, e entregues aos colonos alemães.
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Dados Administrativos e políticos


1867

Em 4 de novembro de 1867, o povoação de São Pedro do Bom Jardim, 3º distrito de São Leopoldo, da qual fazia parte Estância Velha, foi elevada à categoria de Freguezia, através da Lei 635.

1885 a 1888
Entre os anos de 1885 a 1888 a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul foi governada por Henrique Pereira de Lucena, que mandou construir uma estrada que ligava São Leopoldo à Vacaria, para facilitar o escoamento do gado dos Campos de Cima da Serra. A rua Presidente Lucena tornou-se uma das principais da cidade, contribuindo muito para o seu progresso.
1930 
 
Em fins do século XIX já se encontravam em pleno funcionamento em Estância Velha diversos curtumes, selarias, metalúrgicas e casas de negócios. Baseado neste progresso foi baixado o Decreto nº 117 de 15 de janeiro de 1930, criando o 10º Distrito de São Leopoldo, com sede em Estância Velha. O primeiro subprefeito foi Carlos Mattes Neto.
1938 
 
Em 31 de março de 1938, Estância Velha – 10º Distrito de São Leopoldo - foi elevado à categoria de Vila.
1939 - Ainda enquanto distrito de São Leopoldo, em 30 de junho de 1939, Estância Velha passou a chamar-se Genuíno Sampaio, através do Decreto nº 7842.
1950
 Em 10 de abril de 1950, a Lei Municipal de São Leopoldo, de nº 177, restabeleceu o antigo nome à Vila, que voltou a chamar-se Estância Velha.
1954-1958 - Sociedade Amigos de Estância Velha e comissão pró-emancipação

Em 22 de outubro de 1954 foi fundada por um grupo de senhores da comunidade, a Sociedade Amigos de Estância Velha, que foi registrada no Cartório de Registros Especiais de São Leopoldo no dia 14 de março de 1955. Esta entidade foi a base para o movimento emancipacionista, e dela se instituiu a Comissão Pró-emancipação, em 21 de janeiro de 1958, sob a presidência de Bruno Cassel.

Em 12 de novembro de 1958 a Assembléia Legislativa aprovou a realização do plebiscito. O “Dia do Sim” foi 12 de dezembro daquele ano. A população aprovou a criação do município com 2.944 votos sim e 46 não.

1959

Em abril de 1959 a Prefeitura de São Leopoldo imputou um mandado de segurança, alegando que Estância Velha não reunia as condições mínimas necessárias para a sua emancipação. Em 31 de agosto de 1959, a Assembléia criou uma nova lei, que dava a Estância Velha o direito de emancipar-se, mantendo o mandado de segurança. Em 8 de setembro de 1959, pela Lei 3.818, assinada pelo então governador Leonel de Moura Brizola, Estância Velha emancipou-se. Na oportunidade ficou constituída de três distritos: Sede (Estância Velha), Ivoti e Presidente Lucena (Nova Vila). O mandado de segurança foi anulado em dezembro de 1959. A primeira eleição para prefeito e vereadores aconteceu em 20 de dezembro daquele ano.
1963

Com a emancipação de Portão, em 9 de outubro de 1963, Estância Velha perdeu uma parte de sua área territorial.

1964
Em 19 de outubro de 1964, com a emancipação de Ivoti, o município passou a ter os aspectos geográficos que hoje conhecemos.

Religião, educação e vida em comunidade


1835 - INÍCIO DA COMUNIDADE EVANGÉLICA

 

A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana (IECLB) de Estância Velha formou-se em 1835 e em 1838 já iniciou a construção de sua primeira capelinha e seus primeiros livros eclesiásticos. Em junho de 1842 já possuía uma pequena igreja de madeira. Uma nova igreja de alvenaria foi inaugurada em 1º de maio de 1853, quando aconteceu a “Kirchweih”, ou inauguração da igreja, caracterizando o 1º Kerb de Estância Velha.

1899 - SOCIEDADE DE CANTO UNIÃO

A Sociedade de Canto União foi fundada em 4 de julho de 1894 pelo pastor Zanders, Carlos Blauth, Adam Mattes, Jacob Dienstmann, João Mattes e Peter Mattes.

1835 - INÍCIO DA METALÚRGICA METZ


A empresa fundada por João Metz, em 11 de setembro de 1899, completa em 2009, 110 anos de fundação. Começou a funcionar nos fundos da casa, bem na frente onde fica hoje o prédio da empresa. Basicamente eram produzidas jóias, mas a linha de produtos também incluía bombas de chimarrão e material de montaria. Em 1982, o último descendente do fundador Metz saiu da sociedade, 93 anos depois da fundação. Naquele ano, em 23 de julho, Bruno Cassel,

um dos sócios da empresa e genro do fundador transferiu sua parte na empresa para a família Koch. A nova direção decidiu não alterar a razão social, mantendo o nome de Metalúrgica Metz. Em 1982, o último descendente do fundador Metz saiu da sociedade, 93 anos depois da fundação. Naquele ano, em 23 de julho, Bruno Cassel, um dos sócios da empresa e genro do fundador transferiu sua parte na empresa para a família Koch. A nova direção decidiu não alterar a razão social, mantendo o nome de Metalúrgica Metz. Em 11 de setembro de 1999, a família Koch, que ainda hoje controla a empresa, juntamente com os descendentes de João Metz, atuais e ex-funcionários da empresa reuniram-se para comemorar os cem anos da Metalúrgica. Durante a festividade, que reuniu também a comunidade de Estância Velha, foi aberta a mostra “Cem Anos de Metalúrgica Metz, na Casa de Cultura Erna Cassel

1939 -  HOSPITAL DOM PEDRO DE ESTÂNCIA VELHA


O Hospital Municipal Getúlio Vargas foi fundado em 25 de agosto de 1939, sob a denominação de Hospital Dom Pedro de Estância Velha. Sua criação se deu através da instalação de um consórcio com a participação de 11 cidadãos da comunidade: Carlos Antonio Bender, Balduino Weber, Reynaldo Leuck, Rudolfo Haensel, Albino Cassel Sobrinho, Jacob Guilherme Dienstmann, Edwino Leuck, Arthur Konrath, Carlos J. Muller, Carlos Adolfo Sauer e Edwino Moog. Até 1964 o Hospital Dom Pedro pertenceu à OASE – Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas, quando foi adquirido pela Prefeitura Municipal, e passou a chamar-se Hospital Municipal Getúlio Vargas.


1947 - SOCIEDADE DE CANTO LYRA


Em 1º de março de 1947, trinta e uma pessoas reuniram-se na casa de Albino Leopoldo Herrmann e fundaram a Sociedade de Canto Lyra.

1959 - COMUNIDADE CATÓLICA

A comunidade católica completou, junto com o município, 50 anos em 2009. A pequena capela, até hoje preservada ao lado da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no centro, foi construída com a ajuda dos evangélicos, uma vez que um dos critérios para a emancipação era a existência de uma Igreja Católica no povoado.

1959 - IELB

A Igreja Luterana do Brasil (IELB) também comemorou 50 anos em 2009, mas com uma peculiaridade. O cinquentenário foi da constituição da igreja como paróquia. O culto a esta igreja é bem mais antigo e histórico, já que foi em Estância Velha a primeira pregação da IELB na América do Sul, em 19 de abril de 1900.

1971 - HINO DE ESTÂNCIA VELHA


O Hino de Estância Velha foi criado através de um concurso promovido pela Prefeitura Municipal em 07 de setembro de 1971, durante a gestão do prefeito Gabriel Steiner. A primeira apresentação ou execução do hino foi no dia 8 de setembro do mesmo ano, por ocasião dos festejos de 12 anos de emacipação política. Os autores foram João Milton Ritter e Aluisio Rhein Moreira, ambos alunos da Escola de Curtimento.
Salve, salve Estância Velha
Do couro a Capital
Nascida de antigas fazendas
De ouro e de lendas, de um ideal

Salve heróicos pioneiros
Imigrante alemão 
Desbravando as nossas matas
Com bravura e decisão

Salve aqueles que lutaram
Pela emancipação
Conseguindo autonomia
Para este lindo torrão

Salve o vale encantado
Um exemplo cultural
Onde todos lutam juntos
Para o avanço industrial

Salve 8 de Setembro
A história foi marcada
Entre brados de alegria
Estância Velha emancipada

1980 - BRASÃO MUNICIPAL


A escolha do Brasão de Estância Velha foi feita através de licitação pública, com a participação de cinco concorrentes, na gestão do prefeito Nestor Luiz Trein. O autor é Luis Carlos Bisol. O brasão, assim como a Bandeira, foi instituído como símbolo do município de Estância Velha, pela Lei Municipal nº 678/80, de 9 de maio de 1980.

1980 - BANDEIRA MUNICIPAL


A escolha da Bandeira do Município ocorreu através de um concurso promovido na Semana da Pátria, com a participação de nove núcleos: União, Lira, Floresta, Rincão, das Rosas, Vila Scherer, Centro, Escola D.Pedro I, e Escola Princesa Isabel. Os núcleos eram compostos pelas escolas do bairro. Uma comissão julgadora escolheu o trabalho do Núcleo Floresta como vencedor. Na autoria, a Escola Técnica de Curtimento, Escola Cenecista e Escola Otávio Rocha. A bandeira do município tem como cores oficiais o verde e o branco. É dividida em três partes: uma diagonal branca ao centro, e dois triângulos retângulos verdes nas extremidades, que representam:
- o verde: as matas, os campos e a esperança de seu povo na sua proteção;
- o branco: a paz e o espírito harmônico de seu povo, nas suas diferentes atividades.
Centralizado, na faixa diagonal branca, figura o Brasão do município. 
A bandeira foi instituída como símbolo do município, assim como o Brasão, pela Lei Municipal nº 678/80, de 9 de maio de 1980.

1983 - KERB


Desde 1853 é celebrado Kerb em Estância Velha. Mais precisamente, no dia 1º de Maio de 1853, no segundo domingo após a Páscoa daquele ano. Naquela data foi inaugurado o primeiro templo de alvenaria da Igreja Evangélica, chamado “Kirchweih”, ou inauguração da igreja. Para a comemoração desta data, os colonos passaram a usar termos mais curtos, que foram modificando o nome da festa, desde Kirmis, Kermis, Kermes, Kerm e finalmente KERB.

Nos primeiros tempos, os bailes de Kerb eram improvisados nas casas comerciais, que se transformavam em bailantes por três dias, onde o fogo crepitava, dia e noite, para assar o leitão, a carne de boi e os frangos, e também para cozinhar a lingüiça e a batata. Também era tradição recepcionar em casa os parentes e amigos, que vinham a pé, a cavalo ou em carretas e carroças. Paralisava-se todo o trabalho rural para preparar cucas, doces, queijos, Kässchmier, Sauerkraut (chucrute), as conservas de pepinos, rabanetes, couve. Para avisar que haveria Kerb, colocava-se em frente ao prédio onde se realizaria o baile, um pinheiro enfeitado de papéis coloridos, que se denominava Kerbbaum. No interior do salão, pendia do teto uma coroa engalonada de ramos de árvores com fitas de papel ou de tecido de seda, que se denominava “Kerbkrantz’, ou coroa de Kerb. No centro, na parte interna da coroa, dependurava-se uma garrafa de cerveja, enfeitada e que era leiloada na segunda noite de Kerb. O vencedor do leilão era coroado como o ‘Kerbbursch” e tinha que pagar cervejas para os presentes. A festa do Kerb começava na igreja, de onde após o culto, os moradores e os visitantes dirigiam-se com a bandinha de música até o salão de baile. De lá, seguiam para suas casas para almoçar e voltavam à tarde para o início do baile, que se prolongava até o clarear do dia seguinte, quando recomeçava só à tarde. Assim era durante três dias consecutivos. Em 1983, o prefeito Frederico Edvino Leuck criou o I Festival de Kerb de Estância Velha que se perpetua até os dias de hoje.


Fonte: Site Prefeitura Municipal